boa leitura

 
As eleições estão chegando. Qual sua opinião sobre votar?
A obrigatoriedade é necessária pois faz com que a sociedade não tenha desculpa para deixar de cumprir este dever cívico
Em um país democrático a população deveria ter o direito de optar ou não pelo voto.
 
Faça o cadastro e receba novidades e benefícios especiais

Incerto Caminhar: livro de poemas bilingue e estradeiro

 

O Beco da Alegria
Ficou triste.
Pedras restam
Na Rua das Flores.
Vila do Sossego?
Arruaças, gritos e disputas.
Na Avenida Monte Alegre,
A depressão assusta.
O cemitério e a prisão,
Na Rua da Liberdade estão.

Silêncio, estradas e paradeiros de cores diferentes. É nesse mundo que os poemas de David de Medeiros Leite adormecem e se aquecem. É mesmo a palavra o oxigênio da vida do poeta. Professor e escritor com quatro livros publicados, a maioria de crônicas, ele lança hoje “Incerto Caminhar”. O livro ganhou primeiro lugar no II concurso de Poesia em Língua Portuguesa, promovido pela Universidade de Salamanca na Espanha. Por isso, ao folhear cada página, não se espante, os poemas estão escritos em duas línguas. É quando um “seco porto” pode ser lido como “puerto seco” e mesmo com o tempero da língua não perde seu tino de viajante universal. “Depois de algum tempo parado ao pé da montanha, admirando um sólido porto/construído em pleno sertão/o viajante seguiu seu rumo/afogado em um mar de dúvidas”.
São as viagens, a estrada e o caminho interior da vida, o material vivo de sua observação. E foi exatamente na viagem até Salamanca – local escolhido para seu doutorado em Direito Administrativo – que as poesias ganharam visibilidade. O tema central é a estrada, o registro dessa agilidade fugaz da vida.

O próprio poema que dá título ao livro foi inspirado numa passagem pela estrada. “Estava eu e minha esposa conversando e de repente passou um andarilho. O andarilho nos trouxe diferentes divagações sobre a vida e o poema apareceu, “Na mesma estrada longa e sinuosa, seguindo por estorvos, descaminhos – ao lado a companhia generosa – agruras transformadas em carinhos/ A estrada, que se faz ida e retorno, transporta realidade e desvario/ Há vida no seu leito e em seu entorno/assim como no curso de algum rio (…) Também há o andarilho solitário, disperso em mundo sempre errante/ sem data, sem agenda sem horário/ A estrada é esta vontade de chegar (…)

Seus poemas são transitórios e junto com eles respiram também ilustrações assinadas por Brito e Silva com traços de meninos, flores e estradas. Outro ponto interessante no livro são as citações de músicas logo abaixo das ilustrações como o capítulo chamado “Alfarrábios” que traz a imagem de um menino soltando pipa e a frase de uma música do compositor potiguar Babau. São 33 poemas divididos em capítulos “Ementário climatológico”, “Alfarrábios”, “Apontamentos”, “Celebrações”, “Lugares e Caminhos” e “Pósfacio”.

O prefácio é assinado pelo poeta e ensaísta Leontino Filho quando diz que “a viagem se espreguiça na alma, transformando o sensível em coisa retratada”. E por aí os poemas vão, se assentam, se erguem, se voam...

Foto: Sobre Historias de Cronopio e Nils Rinaldi

Gostou do artigo?

O artigo não contém tags relacionadas.
0

Comentários

 
Não há comentários no momento. Seja o primeiro a comentar.

Envie seu comentário

Seu nome:*
Seu e-mail:
Mensagem:*


Silêncio, estradas e paradeiros de cores diferentes. É nesse mundo que os poemas de David de Medeiros Leite adormecem e se aquecem.

clima

 
Natal
sexta, 10 de setembro
27º
máx. 28º
min. 21º
 
parcialmente nublado
 
sábado, 11 de setembro
máx. 29º
min. 21º
 
calmo